Marta Pereira da Costa no Tivoli dia 31 Maio

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Marta Pereira da Costa carrega a responsabilidade de ser a única guitarrista de fado. O seu talento é reconhecido por todo o mundo. 

E é já no dia 31 de Maio que irá estar no Teatro Tivoli com convidados especiais para um magnífico concerto.

1. Quem é a Marta Pereira da Costa? Como se define?

Pergunta difícil.. acho que estou constantemente a procurar conhecer-me. Sou uma pessoa cheia de sonhos e de vontades, lutadora e determinada nos seus objectivos, exigente, insegura, tímida. Sorridente, amiga, discreta. Gosta de viajar, de fazer desporto, de cozinhar, de comer e de beber com os amigos. 

2. A música sempre esteve presente na vida da Marta, acha que é a música que lhe faz sorrir ?

A música entrou na minha vida aos 4 anos com o piano, e desde essa altura que a minha educadora de infância reparou no meu interesse e aptidão para a música. A música emociona-me, a vontade de experimentar instrumentos de aprender, de trocar experiências,faz desde sempre os meus olhos brilharem.

3. Quando é que decidiu que queria ser apenas guitarrista? A engenharia ficou para segundo plano?

Decidi ser guitarrista depois de uma experiência que me marcou muito. Fui desafiada pelo meu, na altura, marido, Rodrigo Costa Félix, para gravar a guitarra portuguesa no disco dele, Fados d’Amor. Na altura não tocava guitarra portuguesa sozinha, tocava sempre ao lado de outro guitarrista profissional, e claro mais experiente. A responsabilidade de gravar sozinha a guitarra nesse disco foi muito grande e tive, para me sentir capaz, que trabalhar muito, ouvir muito e tocar muito. Evolui bastante nesse período e fiquei muito feliz com o resultado final, tinha superado as espectativas. Percebi que se tivesse tempo para me dedicar poderia evoluir bem. Passado um ano deixei a engenharia e arrisquei. Felizmente, os concertos começaram a aparecer e para além de acompanhar o Rodrigo como sua guitarrista, comecei a ter concertos meus, comecei a compor, etc. O universo dava-me sinais de que tinha feito a escolha certa.

4. Como é ser guitarrista? A rotina, as viagens, os ensaios …

Neste momento, como guitarrista, faço aquilo de que mais gosto. Trabalho muito em casa, passo o dia a tocar, a treinar passagens difíceis, a fazer exercícios técnicos, a preparar repertório para os concertos. Ensaio muito com a minha banda. Somos um quinteto: guitarra portuguesa, viola/guitarra, contrabaixo, piano ou acordeão e percussão. Rodamos os temas de concerto, experimentamos temas novos e muito democraticamente vamos decidindo como devemos construir o arranjo de determinado tema. É muito interessante. As viagens são um bónus. Adoro viajar! Às vezes pode ser muito cansativo, mas é sempre bom levar o som da guitarra além-fronteiras, conhecer novos países, novas cozinhas, novas culturas. Na preparação de concertos específicos ensaio o alinhamento com o quinteto.

5. Quem é a sua inspiração? Quais as principais influências “guitarristas”?

A minha grande referência é o Carlos Paredes. O seu repertório e a sua maneira de tocar e de respirar são muito especiais e únicas. O guitarrista com quem tive contacto e que mais me marcou foi o José Fontes Rocha, pelo seu bom gosto e alegria contagiantes a tocar. Sempre me incentivou a tocar e a ser feliz com a guitarra portuguesa. Claro que não posso esquecer o meu primeiro mestre, também muito responsável por eu hoje em dia tocar guitarra portuguesa, Carlos Gonçalves. E o Mário Pacheco com quem pisei os primeiros palcos.

6. A guitarra portuguesa tem um som próprio e único, o que acha de juntar guitarra portuguesa com outros instrumentos?

Acho muito interessante e tenho vindo a fazê-lo. Nomeadamente com a flauta transversal, violino, acordeão, piano e mais recentemente saxofone.

7. Que outras possibilidades gostaria de explorar?

Tenho muitas ideias que gostaria de explorar com tempo e que partilharei na altura certa.

8. Alguma vez a Marta pensou também assumir os vocais?

Sou muito envergonhada. Ja me falaram variadíssimas vezes que seria interessante explorar essa possibilidade. Quem sabe.. para já ainda não me sinto preparada. 

9. Qual é a relação da Marta com as guitarras? É daquele tipo de guitarrista que tem uma guitarra especial e só toca com essa ou gosta de variar e trocar de guitarras?

As guitarras são instrumentos caros. Afeiçoei-me à minha primeira guitarra construída pelo Oscar Cardoso, é uma guitarra de Coimbra com afinação de Lisboa. Tenho uma segunda guitarra, de Lisboa, mas raramente toco nela. Sinto-me mais segura com a minha primeira guitarra.

10. Alguma vez a Marta sentiu descriminalização/discriminação por ser mulher?

Não sei se deveria responder a esta pergunta… Na teoria, tenho sido muito bem recebida desde que comecei a aprender e a ir às casas de fado. Tenho bons amigos. Mas há medida que vamos crescendo, construindo, procurando fazer carreira, as portas e os apoios fecham-se. Estranho o facto de a única guitarrista profissional de fado não suscite interesse em participar nos festivais de fado de Lisboa, porto, Madrid, Sevilha, etc… Tenho um disco editado, com apoio e músicos como o Rui Veloso ou a Dulce Pontes que valorizam o meu trabalho.

11. Em Portugal é difícil ser se músico?

É. É uma profissão muito instável. No caso do Fado, apesar de estar a atravessar uma fase muito positiva, os meios estão viciados e há pouca abertura e pouco apoio por parte das instituições para projectos novos versus nomes consagrados. A música instrumental tem uma dificuldade crescida, uma vez que televisões e rádios não passam música instrumental, é muito raro, optando por temas cantados. No caso da música clássica e do jazz, é diferente, mas os músicos normalmente complementam a sua actividade de músico profissional com a de docente em escolas, procurando assim alguma estabilidade.

12. Que objetivos tem para si?

Evoluir como guitarrista e como músico. Melhorar a minha técnica e resistência, tornar-me mais versátil, conhecer novos instrumentos e novos géneros e linguagens musicais e levar a guitarra portuguesa e o nome de Portugal, além fronteiras. Viajar, tocar muito ao vivo. Continuar a compor e gravar um segundo disco.

13. Dia 31 de Maio prevê se uma noite fantástica no Tivoli, o que podemos esperar dessa noite?

Uma noite muito especial, uma noite que está a ser preparada com muita dedicação. Será um concerto variado, com convidados de luxo e muitas surpresas. Estou muito ansiosa, e com algum medo, confesso. É uma sala muito bonita e emblemática, onde já toquei e me senti muito bem, mas também de muita responsabilidade. Vou procurar entregar-me, ser eu mesma, nem mais nem menos, e esperar que se emocionem e que passem uma noite agradável e que saiam emocionados e de alma cheia.

Para quem ainda não segue a Marta segue abaixo link:

https://www.facebook.com/martapereiradacosta/

Vamos apoiar os artistas portugueses, vamos ao Tivoli no dia 31. 

https://ticketline.sapo.pt/evento/marta-pereira-da-costa-18379

Curiosidades para saber da Marta Pereira da Costa 

* Maior medo? Rejeição

* Momento de maior felicidade? Nascimento dos meus filhos

* A recordação mais antiga? Ir à praia de mão dada com os meus avós e no fim comer um super maxi com o meu avô.

* A palavra mais usada? Os meus filhos dizem que é “Mau…” 

* Músicas que tem no ipad? Não tenho!! Oiço no carro e pesquiso no youtube.

* Uma mania continuada… Demorar horas a lavar os dentes!

É com imenso gosto que fiz este artigo, Marta é sem dúvida fonte de inspiração. 

Obrigada Marta pela disponibilidade.

Nota: as respostas são autênticas, dadas pela própria.

#shinebright #martapereiradacosta #artistasportugueses #musica #guitarra #fado #tivoli

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